
Quando se fala em proteger a rede da empresa, a conversa vai direta para firewall, segmentação e VPN. Tudo isso importa. Mas a brecha que mais aparece num parque real não está no perímetro: está lá dentro, em partilhas de ficheiros que foram criadas para uma finalidade temporária e nunca revistas.
Como nascem
A origem é sempre razoável. Uma migração que precisava de copiar ficheiros entre duas máquinas. Uma cópia de segurança improvisada antes de formatar um posto de trabalho. Uma pasta aberta para um estagiário entregar um trabalho. Um diretório aberto para o gabinete de contabilidade ir buscar os documentos do mês.
Todas foram decisões corretas no momento. O problema é que a tarefa termina e a partilha não. Sobrevive à migração, ao estagiário, ao contabilista e, frequentemente, à pessoa que a criou.
Porque não são detetadas
Uma partilha aberta não gera erros, não gera alertas e não aparece num teste de firewall — a comunicação é interna e legítima aos olhos da rede. Também não aparece num varrimento pontual se a máquina estava desligada nessa altura. E quase nunca aparece numa auditoria manual, porque mapear o parque inteiro à mão é inviável em qualquer empresa com mais de algumas dezenas de postos de trabalho.
O resultado é um conjunto de portas abertas que só é descoberto por quem anda à procura. A questão é se quem anda à procura primeiro é a sua equipa.
O que tem de ser levantado
Um varrimento útil de partilhas responde a quatro coisas para cada pasta:
- o caminho completo e em que máquina está;
- o tipo de acesso concedido — leitura, escrita, controlo total;
- quem chega a essa partilha, incluindo o caso crítico de Todos;
- se há dados sensíveis lá dentro, o que normalmente se deduz do próprio caminho.
Nas capturas publicadas na página do Tz0 Security este levantamento aparece com um fator de risco calculado sobre o parque e a tabela nominal de cada partilha, com as que estão como Todos, Completo assinaladas a vermelho. São números de um parque real em funcionamento, e não são confortáveis.
Fechar é a parte fácil
Depois de a lista existir, a limpeza é rápida: a maioria das partilhas já não tem dono nem finalidade e pode simplesmente ser removida. Todo o trabalho estava em ver.
Vale a pena transformar isto em rotina, não em operação pontual. Vão continuar a aparecer partilhas novas, porque a necessidade que as cria — resolver alguma coisa depressa — não vai deixar de existir. O que muda é que agora são encontradas em semanas, não em anos.